ÁFRICA LIBERDADE


o grito por liberdade do soldado negro condenado à forca Francisco José das Chagas Foi uma das possíveis razões do nome atual do bairro. CECÍLIA GARCIA


No período pós-abolição, que tem seu início em 1888, a população negra vivia em casas e cortiços no centro da cidade; era naquela região que homens e mulheres sem acesso a direitos básicos como moradia conseguiam trabalho. Segundo a historiadora Cláudia Rosalina Adão no livro A Luta Contra o Racismo do Brasil, tanto a vinda de operários imigrantes como também os chamados trabalhos de melhoramentos da cidade – políticas de Estado para embranquecer e europeizar o centro – empurraram a comunidade pobre e também a negra para as periferias da cidade. Cidades Educadoras

O nome correto da Igreja de Santa Cruz, também conhecida por Igreja das Almas e localizada no ponto central do bairro, é Igreja da Santa Cruz dos Enforcados, pois era exatamente naquele local onde senhores e seus capangas cometiam a punição mais severa contras os negros.

A missão da pesquisadora Patrícia Oliveira é encontrar a memória trágica dos negros até a virada do século XX na maior cidade do país. Encontrar porque esses locais não por acaso foram apagados, apontando assim as histórias negligenciadas, as pessoas indesejadas, e formando o caldo daquilo que pode ainda ser a base de reparações históricas. CAROL SCORCE, da Carta Educação  Geledes

A estação do metrô Liberdade mudou de nome , se chama Japão Liberdade . O bairro da liberdade era originalmente um bairro de negros , muito antes da chegada da comunidade nipônica, se chamava Largo da Forca, pois era palco de execução de escravos negros fugitivos e condenados à pena de morte. Foi, aliás, por causa de um negro que a praça e o bairro foram chamados de Liberdade.

Em 1821, um soldado chamado Chaguinha, condenado à morte por liderar uma rebelião por pagamento de soldo, sobreviveu a duas tentativas de enforcamento, ao que o público atribuía a um milagre e passava a gritar “liberdade” – só foi morto após o carrasco usar um laço de vaqueiro. Chaguinha, então, se tornou um santo padroeiro do bairro e protetor da Capela dos Aflitos, onde esteve antes de ser levado à forca, e da Igreja Santa Cruz dos Enforcados, construída décadas mais tarde em frente à praça, que abrigava organizações de ex-escravos e seus descendentes . Neste bairro também foi instalado à Frente Negra Brasileira , o Paulistano da Glória, e o cemitério dos escravos. Os imigrantes japoneses chegaram no bairro em 1912. O nome Liberdade é foi uma resposta à opressão. Miriam S. Ramos (WhatsApp) - EDSON NOVAES

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