Gilberto Orivaldo Chierice (1934-2019)





O professor aposentado do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, Gilberto Orivaldo Chierice morreu aos 75 anos, (19/07/2019), no Hospital Instituto de Moléstias Cardiovasculares, em São José do Rio Preto (SP). Chierice ficou conhecido no Brasil por desenvolver a fosfoetanolamina sintética, conhecida popularmente como a “pílula do câncer”. G1 São Carlos e Araraquara


No final dos anos 1980, ele desenvolveu um polímero a partir do óleo de mamona, que era perfeito para fabricar próteses bem mais baratas que as de silicones e que também não causavam rejeição. O trabalho que deu a ele, em 1996, reconhecimento como um dos 100 melhores cientistas brasileiros dos últimos 100 anos.
Nascido em Rincão (SP), Chierice se formou em química pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Unesp de Araraquara (1969), realizou mestrado (1973) e doutorado (1979) em química pela USP, na capital. Em 1976, ingressou no quadro de docente da USP de São Carlos e se aposentou em 2013 como professor titular. GaúchaZH
gilberto orivaldo chierice
O Dr. Gilberto Orivaldo Chierice falou na palestra na Alesc sobre a substância requisitada por pessoas que sofrem de câncer, a Fosfoetanolamina. Daniel Queiroz

A Agência AL, a Rádio AL e a TVAL produziram uma série de reportagens sobre a fosfoetanolamina. As matérias mostram os pacientes que ingeriram a substância e obtiveram melhoras expressivas na qualidade de vida, o papel do Judiciário na disputa pelas pílulas do câncer, a cautela da classe médica com relação à substância e a atuação do Parlamento catarinense nessa polêmica. Agência AL

A diretoria do Instituto de Química da USP lamentou a morte do professor:
“Foram 37 anos de trabalho dedicados ao Instituto, desde seus primeiros anos no curso de bacharelado em química, até a consolidação do programa de pós-graduação em química analítica, do qual foi orientador de dezenas de mestres e doutores.

Possuia graduação em Bacharelado e Licenciatura em Química pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Araraquara (1969), mestrado em Química (Físico-Química) pela Universidade de São Paulo (1973) e doutorado em Química (Química Analítica) [Sp-Capital] pela Universidade de São Paulo (1979), foi professor titular-ms-6-RDIDP da Universidade de São Paulo, tinha experiência na área de Química com ênfase em Equilíbrio Químico, atuando principalmente nos seguintes temas: resina de mamona, óleo essencial, óleo essencial, thermal decomposition e resinas poliuretanas. (Fonte: Currículo Lattes). CDi/FAPESP – Centro de Documentação e Informação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo



Na década de 90 que os pesquisadores do IQSC conseguiram fabricar artificialmente a substância em laboratório. Foi através da combinação de dois compostos, a monoetanolamina (utilizada em cosméticos) e o ácido fosfórico (um tipo de conservante), Essa substância é sintetizada naturalmente em algumas células do nosso corpo. Testes em ratos demonstraram a eficácia da fosfoetanolamina sintética no tratamento de tumores, fazendo-os regredir sem prejudicar as células normais. A substância experimental também foi distribuída para pacientes e os resultados impressionam. Lenita dos Santos Andrade - Ignotus


O professor Gilberto Chierice conta que já tentou o registro na Anvisa quatro vezes, mas a Agência pede mais dados clínicos para que o registro seja realizado. Contudo, a equipe de cientistas encontra dificuldades para conseguir autorização para seguir com os experimentos em hospitais.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) se interessou em testar a substância para registrá-la na Anvisa e produzi-la, mas, segundo os cientistas, uma das condições é que a patente da fosfoetanolamina sintética seja passada para a Fundação. 
Os pesquisadores, atuais detentores da patente, recusaram por não possuírem garantias de que a fosfoetanolamina sintética seria de fato testada e de que, caso se tornasse um medicamento legalizado, seria distribuída a baixo custo. 
Segundo o pesquisador Salvador Claro Neto, cada cápsula da substância custa R$0,10 para ser produzida e a equipe fez um acordo para não lucrar com isso.
“Gostaríamos que a fosfoetanolamina sintética fosse produzida e disponibilizada pelo SUS. Procuramos os órgãos responsáveis, mas encontramos dificuldades porque não há protocolo clínico”, afirmou Neto ao portal de notícias G1. 

“Câncer não é para ganhar dinheiro, chega de o câncer enriquecer pessoas, hospitais. […] Se for para haver lucro, que seja pequeno e revertido para a criação de um instituto de pesquisa na área de câncer. Isso seria interessante para o país”, defendeu.


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