Duns Scotus

Johannes Duns Scotus foi fundador e líder da famosa Escola Escotista e um dos mais importantes filósofos escolásticos. Pouco se sabe sobre a sua formação, e seu local de nascimento é discutido até hoje. Há, todavia, algum consenso de que ele teria nascido em 1266, na cidade de Duns, na Escócia, nas proximidades da fronteira inglesa.
Diz a lenda que Scotus possuía uma inteligência muito obtusa quando criança e que, ao rezar para a Virgem pedindo pela luz da sabedoria, teria sido atendido e, desta forma, tornado receptivo à vida teológica. Ao lado de Tomás de Aquino, São Boaventura e Alberto Magno, Duns Scotus foi uma das grandes figuras do apogeu escolástico, fundando seu pensamento em Platão, Avicena e Aristóteles.
Scotus negava uma distinção real entre essência e existência, opondo-se, portanto, à doutrina tomista, que primava pela lei da analogia. Para ele, não podemos conceber o que é ser algo sem conceber este algo existindo realmente. Não se faz distinção entre se uma coisa existe (si est) e o que ela é (quid est), as coisas criadas e as coisas incriadas. Todos os seres da realidade são seres evidentemente finitos, porque limitados, carentes de alguma perfeição. Os seres possuem uma causa e um efeito, contêm limites e fronteiras, são contingentes. As coisas criadas, vemos por nós mesmos: o ser humano que nasce e morre, a árvore que brota e seca, as estrelas que explodem numa supernova. Às coisas incriadas, por sua vez, vemos pelo intelecto. Se o ser não fosse em algum instante, haveria o nada, e já que do nada nada pode vir, o ser é infinitamente. Argumenta Scotus que Deus é este ser infinito, ilimitado, incondicionado e infinitamente perfeito, o ser em sua intensidade absoluta, o Ato Puro de Aristóteles.
Scotus opunha assim a haeeceitas à natura communis. Para ele, só existe o individual, e isto é um axioma fundamental para a compreensão da realidade. Para apreendermos um individual, é necessária a cognição intuitiva, que nos dá a existência ou não existência atual (presente, eficiente) do individual, oposta à cognição abstrata, universalista. Muitos afirmam que esta posição de Scotus, especialmente com seu discípulo William de Ockham, foi a grande responsável pelo fortalecimento do nominalismo e a derrubada do realismo moderado aristotélico-tomista no findar da Idade Média. Descartes, Leibniz, Hobbes, Kant e tantos outros modernos teriam sido, assim, herdeiros da filosofia escotista. Renan Santos - Página 3 Pedagogia & Comunicação

O intelecto humano só pode conhecer verdadeiramente o que ele pode abstrair pelos dados dos sentidos. Não temos nenhum conceito direto do que podem ser as substâncias puramente imateriais e inteligíveis, os anjos e Deus, por exemplo” (Cfr. Etienne Gilson,  La Philosophie au Moyen Âge, Payot, Paris, Vol.II, pp. 592-593). Orlando Fedeli - Montfort

De Duns Scoto, de Ockham, e de Eckhart nasceu o nihilismo dos séculos XX e XXI. Nasceu a Modernidade em sua duas formas: a  racionalista nominalista, a forma panteísta da Modernidade; e a forma dualista dialética, de caráter anti racional: a Gnose de Mestre Eckhart.

Do racionalismo panteísta de Ockham virão a Reforma em sua forma luterana final, o cientificismo renascentista,  o racionalismo cartesiano, o empirismo inglês, o barroco, o iluminismo ateu e laico de Voltaire, Diderot e dos enciclopedistas, o comunismo dos enragés da Revolução Francesa, assim como o naturalismo e o realismo do Romantismo, e, enfim o materialismo de Darwin,  e o de Marx e de seus corifeusexpressos quer na filosofia, quer na arte moderna materialista, terminado na Teologia da Libertação marxista, nascida do Vaticano II. 

Da Gnose anti racional de Mestre Eckhart advirão o humanismo mágico de Marsilio Ficino e do Renascimento de Leonardo e Michelangelo, a irracionalidade do subjetivismo caratesiano divinizador do Ego, e negador do conhecimento objetivo, as seitas irracionais do misticismo protestante, o maneirismo, o pietismo e o quietismo, o Idealismo de Kant e seus suscessores, a filosofia e arte do Romantismo, o Simbolismo, a filosofia gn;ostica de Bergson, do Modernismo de Blondel, a Fenomenologia de Husserl e seus derivados, culminado no Vaticano II e em sal teologia negadora d etodoconheciemnto objetivo.

Na realidade, essa duas correntes são como dois fios que se enroscam um no outro formando um só barbante, de duas cores: uam vermelha, ado panteísmo racionalista; outra branca, simbolizando a Gnose. Amabas são as duas vertentes d euma religião oculta na história: o Antropoteísmo, divinizador do homem.

Não sem razão a serpente disse a Adão e Eva : “Sereis como deuses”( Gen III, ).

Não sem razão Deus fez a serpente ter uma língua bífida.
 

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