São Boaventura

Seu nome de batismo era João de Fidanza, nasceu em 1218, em Bagnoregio, região de Viterbo, Itália. Seu pai era um médico famoso e bem conceituado na região e quando o pequeno João de Fidanza teve uma enfermidade grave, o pai não conseguiu curá-lo. A cura aconteceu quando o pai, a mãe e familiares a pediram pela intercessão de São Francisco, a cura foi como um sinal profético, pois, o pequeno João, no futuro, viria a ser um grande reformador dos franciscanos. Cruz Terra Santa


São-Boaventura

No século 13, a Escolástica vive sua era de ouro. O ocidente cristão finalmente assimila as tradições árabe-judaicas e alimenta sua filosofia com um imenso caudal de traduções e comentários de textos gregos antigos. Renan Santos - Página 3 Pedagogia & Comunicação
Também nesse século, a grande obra aristotélica é convertida ao latim, enquanto o tradicional mundo platônico de Agostinho balança. É a época das grandes disputas e cisões dentro das universidades. Em Paris, as recém-criadas ordens de frades e pregadores entram em choque, debatendo doutrinas teológicas, os franciscanos contando com a grande figura de São Boaventura para resistir ao vagalhão aristotélico que invade a Europa.
Em 1221, Boaventura nasce em Bagnorea, próximo de Viterbo, na Itália central. Diz a lenda que seu famoso nome teria surgido quando, ainda criança, fora curado de uma enfermidade por São Francisco, que exclamara: "o buona ventura!".
Boaventura e Tomás de Aquino, além de dois grandes amigos, foram os maiores teólogos da Escolástica, e, embora muitos busquem exagerar a sua oposição filosófica, ambos se completavam perfeitamente.
O grande franciscano unia enorme erudição a uma ardente piedade, sem nunca em seus escritos divorciar o conhecimento do sentimento devoto. Contra a árida especulação, dizia ele que "nenhum propósito útil é atingido pela mera controvérsia". Para Boaventura, filosofia e razão formam uma etapa no caminho que conduz a alma a Deus. A fé leva à razão que leva à contemplação. Deve-se partir do sensível para transcendê-lo, pois o sensível é apenas um sinal de Deus, e não ele próprio.
A expressão grega logos spermatikós, usada por Cleanto, popularizada pelos estoicos e utilizada por Agostinho, era a afirmação de que todo ser procede de uma "semente" que devia encerrar "razões seminais" de suas menores partes. Cada semente, por menor que fosse, deveria conter todas as partes do organismo a ser formado. Todos os seres têm uma "razão seminal", um logos spermatikós.
A matéria-prima do mundo não é uma mera massa indeterminada, ela contém em si as razões seminais infundidas por Deus desde a criação. Há, assim, "tendências" na natureza a determinadas formas, há "regras" que se atualizam conforme certas condições sejam atingidas - como a semente, que é potencialmente uma árvore, mas que precisa da ação da chuva, do solo, etc. para atualizar essa árvore, Boaventura ao explicar o devir da natureza.
Se as formas são ideias na mente de Deus, como afirma a tradição neoplatônica, diz Boaventura, "os seres criados não podem ser outra coisa que não um reflexo da essência divina, e as leis que regem interiormente esses seres não são mais do que uma imitação da lei interna de Deus". Em todo ser há vestígios (vestigia) divinos.
Boaventura imagina um reductio, o processo pelo qual se reduz a verdade de um juízo, de condição em condição, até chegar a essas verdades eternas.


São Boaventura nos deixou muitos ensinamentos. Selecionamos aqui dez deles para que você refletir:
1. “Eis a fonte de meus conhecimentos. Estudo Jesus, e Jesus crucificado!”
2. “Se quereis progredir no amor de Deus, meditai todos os dias a Paixão do Senhor. Nada contribui tanto para a santidade das pessoas como a Paixão de Cristo”.
3. “Tem o Paraíso seguro todos os que anunciam as glórias de Maria”.
4. “Não basta a leitura sem a unção, não basta a especulação sem a devoção, não basta a pesquisa sem maravilhar-se; não basta a circunspecção sem o júbilo, o trabalho sem a piedade, a ciência sem a caridade, a inteligência sem a humildade, o estudo sem a graça”.
5. “Na profundidade do nosso ser está inscrita a memória do Criador. E precisamente porque esta memória está inscrita no nosso ser, podemos reconhecer o Criador na sua criação, recordar-nos, ver as suas pegadas neste cosmos criado por Ele”.
6. “Exorto o leitor antes de tudo ao gemido da oração por Cristo crucificado, cujo sangue lava as manchas das nossas culpas”.
7. “Jesus Cristo é a última palavra de Deus – nele Deus disse tudo, doando-se e proclamando-se a si mesmo. Mais do que Ele mesmo, Deus não pode dizer, nem doar”.
8. “A oração é a mãe e a origem da elevação, ação que nos leva para o alto”.
9. “Quem… não vê os inúmeros esplendores das criaturas, é cego; aquele que não desperta com tantas vezes, é surdo; quem não louva a Deus por todas estas maravilhas, é mudo; aquele que de tantos sinais não se eleva ao primeiro princípio, é estulto”.
10. “Portanto, oremos e digamos ao nosso Senhor Deus: “Conduza-me, Senhor, pela tua via, e eu caminharei na tua verdade. Alegre-se o meu coração no temor do teu nome”.
São Boaventura, rogai por nós! Felipe Aquino - Cleofas

Oração a São Boaventura


Ó bondoso São Boaventura, por uma especial graça de Deus, fostes escolhidos para ser zeloso doutor e  pastor da Igreja de Jesus Cristo. Vós sois agradáveis diante de Deus, pela missão de pastor, honrastes e defendestes a Igreja de Jesus, pelo encargo confiado de preparar o segundo concílio de Lyon. Pelo crédito que gozam vossas orações junto de Jesus e Maria, encontrastes no vosso trabalho a expressão generoso da caridade, em favor do bem comum. Soubestes ensinar e vivenciar a caridade, como fundamento da doutrina de Jesus Cristo. Por isso, Deus vos abençoou. Por isso,  lembrados de vossas virtudes, vos pedimos que nos alcanceis de Jesus, o Filho de Deus, viveremos unidos a Ele, pela vida em família, no testemunho de vosso trabalho e pela esperança cristã que os vossos sofrimentos cristãmente assumidos, sejam para nós a garantia da ressurreição. Deus honra, glória e louvor. Amém!”

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