Plantas Alimentícias Não Convencionais, alternativaS?!?


No Brasil, o trabalho pioneiro sobre as PANC e o registro das espécies é do professor e pesquisador Valdely Kinupp, que cunhou o termo Plantas Alimentícias Não Convencionais e catalogou mais de 300 espécies em sua tese de doutorado, que deu origem ao livro Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil. Você pode acessar a tese aqui.



“Muitas plantas não são consumidas, pois as pessoas não sabem o que é, e muitas vezes o próprio produtor rural ecológico tem até vergonha de levar à feira. Muitos desses alimentos foram considerados historicamente comida de bicho, algo sem valor. Um exemplo desses alimentos são as folhas da beterraba e o coração de bananeira, que muitas vezes são descartados”, explica a museóloga Kátia Almeida, proprietária do sítio Verde Viver (RS). Ela também lembra do não aproveitamento integral dos alimentos já conhecidos. “Nós descartamos partes alimentícias não convencionais das plantas também, como da cenoura, que poderiam ser incluídas em nossa alimentação, seja como complemento ou como prato principal.” Clóvis Teixeira

A Cartilha Plantas alimentícias não convencionais em diferentes culturas agroecológicas, em uma propriedade do Litoral Norte do RS para baixar, foi feita pelo Grupo Viveiros Comunitários com este intuito, de divulgar e possibilitar que as pessoas criem autonomia para reconhecer estas plantas e utilizá-las, gerando uma menor dependência da indústria alimentícia que visa somente produção e lucratividade, e não ao bem estar e saúde da da população. Marília Elisa Becker Kelen

Com mais de 46.000 espécies de plantas, o Brasil tem uma das maiores diversidades biológicas do mundo. Essa imensa riqueza ainda é pouco conhecida e sua utilização como alimento tem sido negligenciada. O uso da biodiversidade local na alimentação contribui para a ampliação das fontes de nutrientes disponíveis à população e para a promoção da soberania e segurança alimentar. Plantas alimentícias não convencionais (PANC) na comunidade rural de São José da Figueira, Durandé, Minas Gerais, Brasil. Amélia Carlos Tuler
Agradeçemos aos agricultores da comunidade rural de São José da Figueira, que aceitaram participar e compartilhar informações do seu cotidiano, tornando possível esse estudo. Agradecemos também a Diego Rafael Gonzaga, as sugestões feitas ao manuscrito. Scielo
Carla Soares Faria do OutraCozinha, resolveu compartilhar algumas dicas que acha que ajudará a identificar e comer suas primeiras PANCs espontâneas no jardim. São pequenas dicas que você deve carregar consigo que acredita serem muito úteis pra ganhar confiança. Aqui vão elas:
  • Veja muitas fotos feitas por pessoas diferentes. Nós aprendemos muito por repetição. Seja seguindo pessoas que falam e mostram essas plantas, ou procurando ativamente por elas no google, veja fotos até dizer chega.
  • Guie-se pelo que está no seu quintal. Tente dar nomes aos matinhos que você ainda não sabe nomear. Jogue a descrição no google, procure pelas PANCs mais comuns pra ver se é uma delas. Se aparecer uma foto no seu feed parecida com alguma que você tem no seu quintal e você ainda não sentiu segurança, procure no google por mais fotos pra ganhar confiança;
  • Lembre-se de que muitas plantas possuem variações de espécies. A serralha por exemplo possui algumas espécies diferentes. São todas parecidas, umas tem as flores amarelas, outras rosa, outras tem as folhas mais arroxeadas, mas todas são comestíveis, o que torna a brincadeira de identificação bem pouco perigosa;
  • As pessoas sempre se relacionaram com essas plantas. Elas não eram biólogas, taxonomistas, agrônomas ou o que quer que seja. Elas viviam uma vida próxima a essas plantas, tinham uma necessidade de aprender sobre elas por questões medicinais e alimentares. Você também pode aprender com o que estiver à sua volta pelas razões que lhe parecerem coerentes;
  • Várias dessas plantas são muito comuns no Brasil inteiro, e é por aí que se começa. Serralhabeldroegacaruru do mato ou bredomaria gorda, dente de leão, alface do matotansagem ou transagem, crepe japonês, guasca e picão, estão entre as plantas espontâneas mais comuns que costumam infestar os jardins. A chance de você encontrar é enorme se começar por elas;
  • É sempre mais fácil identificar uma planta pela flor do que pela folha. É assim, inclusive, que os botânicos costumam agir pra identificar. Se você está com dúvida, espere que a planta solte flores ou sementes pois provavelmente isso será útil pra te dar segurança;
  • Converse sobre plantas com os outros, mostre a planta a alguém. As pessoas no passado aprendiam sobre essas plantas umas com as outras. A minha experiência de conversar sobre o assunto me mostra que muitas pessoas à nossa volta continuam conhecendo essas plantas pelo nome, embora nem sempre elas saibam que podem comê-las ou como prepará-las. É mais fácil identificar numa conversa cara-a-cara do que identificar numa foto na internet;
  • Ok, você criou coragem, identificou uma planta no seu jardim, mas nunca preparou. Por onde começar? Comece pelo mais simples: refogue no alho. Não coma crua, pois várias precisam de cozimento antes de comer, e em geral, os sabores são mais sutis após cozimento. Esse tipo de preparo é gostoso o suficiente pra te dar uma ideia dos sabores e despertar a sua curiosidade pra novas possíveis combinações. Guie-se pelo sensorial e não somente pelas receitas que você encontrar por aí.

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