A suástica, Heil Vishnu!?!

As primeiras formas semelhantes  à suástica foram encontradas em vasos  de cerâmica datados de  4 000 a.C  em antigas inscrições europeias.
As segundas referências foram encontradas em escritos, na região do Indo, actual Afeganistão e Paquistão,  cerca de 3 000 a.C., e assim o hinduísmo e o budismo buscaram as suas influências assumindo a suástica como um dos seus símbolos. A palavra suástica tem sua primeira aparição nos clássicos épicos em sânscrito Ramayana e Mahabharata.

Mahabharata é considerados por muitos como o texto sagrado de maior importância para o hinduísmo. Nele consta a Tri-Varga ou as três metas da vida humana: kamaartha e dharma. Para satisfazer o kama (ou kãma) ou desejo, o indivíduo deve empenhar-se no artha, isto é, um conjunto de actividades, como por exemplo o trabalho, que lhe permitam ver realizada a sua componente material e económica. O artha só é considerado virtuoso enquanto vinculado ao dharma, isto é, o código de conduta moral, ética, e religiosa. O Dharma refere-se não só ao exercício de uma tarefa espiritual, mas também à ordem social, conduta ética  ou, simplesmente, virtude. ILHA DOS DEUSES

A suástica é um dos símbolos sagrados do hinduísmo há aproximadamente um milénio e meio, usada sobretudo associada à sorte, ao Sol, a Brahma, ou no conceito da samsara – o ciclo da morte e do renascimento, a palavra suástica deriva do sânscrito svastika, que significa felicidade, prazer e boa sorte, e para os hindus é considerada extremamente pura e auspiciosa.

 

No hinduísmo, a suástica representa a ideia de deus, Brama. Se gira para a direita (em sentido horário, como a nazista), simboliza a evolução do universo encarnada pelo deus criador Brama. Por outro lado, no sentido anti-horário representa a involução do universo, obra do deus destruidor Shiva. Os círculos correspondem aos quatro pontos cardeais, símbolo de estabilidade. ESPERANZA BALAGUER - El País

A suástica é um símbolo de paz, prosperidade e boa sorte para quase 2,3 bilhões de pessoas, um terço da humanidade. A maioria delas se encontra na Ásia, onde é um emblema sagrado para o budismo, o hinduísmo e o jainismo ― o odinismo é outro exemplo.

No Japão, a suástica foi adotada pelo budismo, chamada de manji (万字), representa a harmonia universal, equilíbrio dos opostos, eternidade e boa sorte. É composto por um eixo vertical (que representa a junção do céu e da terra), um eixo horizontal (que representa a conexão do yin e do yang) e os quatro braços (que representam o movimento e a força giratória criada pela interação desses elementos). Saindo da Matrix

O manji (a suástica nipônica) é usada nos mapas para indicar os templos budistas, religião seguida por 46 milhões de pessoas no país,  em 2016 a Autoridade de Informação Geoespacial do Japão (GSI) fez uma consulta pública sobre eliminar o manji dos mapas para não ferir a sensibilidade dos visitantes que forem a Olimpíada de Tóquio-2020.

A bandeira com a cruz gamada hindu tremula no grande encontro de peregrinação (kumbh mela) Simhasth, na cidade de Ujjain, em Madhya Pradesh (Índia). No hinduísmo, a suástica representa a ideia de deus, Brama. Se gira para a direita (em sentido horário, como a nazista), simboliza a evolução do universo encarnada pelo deus criador Brama. Por outro lado, no sentido anti-horário representa a involução do universo, obra do deus destruidor Shiva. Os círculos correspondem aos quatro pontos cardeais, símbolo de estabilidade.
A bandeira com a cruz gamada hindu tremula no grande encontro de peregrinação (kumbh mela) Simhasth, na cidade de Ujjain, em Madhya Pradesh (Índia). GETTY

A origem da cruz de dois ganchos entrelaçados remonta a 5.000 anos atrás, nos vales do rio Indo (Índia), e seus usos religiosos e seculares se multiplicaram ao longo da história. “Há suásticas repetidas por todo mundo que nada têm a ver com os nazistas”, explica Steven Heller, uma autoridade na crítica visual, responsável durante 30 anos pela imagem gráfica do The New York Times e copresidente da Escola de Artes Visuais de Nova York (SVA, na sigla em inglês).


O desenho (uma cruz gamada) parece ter sido utilizado pela primeira vez na Eurásia, há cerca de 7.000 anos, talvez como uma representação do movimento do Sol no céu, é comum encontrá-la em templos ou residências na Índia e na Indonésia.  As suásticas também têm uma história antiga na Europa, aparecendo em artefatos de culturas europeias pré-cristãs. United States Holocaust Memorial Museum


O arqueólogo alemão Heinrich Schliemann encontrou na cerâmica alemã uma cruz gamada no local da antiga Tróia, durantes suas extensas escavações no século dezenove. No início do século vinte, a suástica estava em grande moda na Europa, possuía inúmeros significados, mas o mais comum era como símbolo de boa sorte e bons auspícios.



Um dos 108 símbolos de Vishnu representa os raios do Sol sem os quais não haveria vida. O próprio deus Ganesh muitas vezes é feito sentado sobre uma flor de lótus, numa cama de suásticas.

Outro símbolo muito importante para o hinduísmo é o OM ou Aum, considera-o como representativo do único som primordial da criação, o som do universo, a semente da criação. 



De antes de Cristo são as que aparecem aos pés dos budas esculpidos nas montanhas do norte da Índia, na necrópole de Koban no Cáucaso da Ossétia do Norte, na antiga cidade de Troia (Turquia), nos restos de Micenas, nas ruínas de Babilônia (Iraque) e nos ornamentos da tribo dos Ashanti em Gana. As escavações arqueológicas situam a suástica no continente americano antes da chegada de Cristóvão Colombo: os nativos a estamparam em vasilhas, tapetes, roupas e joalheria.

Na Europa, estendeu-se como uma insígnia mística comum na decoração de abadias e conventos católicos. Pode ser vista nas catedrais de Amiens (França) e Oxford (Inglaterra) e no monastério beneditino de Lambach, no norte da Alta Áustria, onde se acredita que Hitler teve seu primeiro contato com ela, ainda criança, quando participou do coro.




Times esportivos a usavam para representar os quatro Ls: “Love, life, light, luck” (“amor, vida, luz e sorte”). Em 1925, a Coca-Cola fabricou uma insígnia de boa sorte com forma de suástica e a frase “Beba Coca-Cola”. Os escoteiros a imprimiram em cartões-postais, trajes, joias e medalhas ao mérito. Um ornamento muito comum na arquitetura do começo do século XX, em Nova York, pode-se vê-la no teto da livraria da Universidade Columbia, na entrada do Metropolitan Museum e na fachada da Brooklyn Academy of Music. Aparecia em postais, marcas de bolachas e inclusive nos westerns de Hollywood, até que Hitler se apropriou dela.

Peso da Costa do Marfim, do século XIX. Servia para calcular o valor do ouro em uma balança e tem a suástica do sânscrito do século V a.d.C representada.

Os nativos americanos ―navajos (tapeçaria - abaixo), apaches, papagos e hopis― foram os primeiros a se insurgirem contra seu uso por parte dos nazistas.


Hitler se apropriou dela no verão de 1920, depois de lhe dar um giro à direita de 45 graus sobre seu eixo. Em seu livro, Mein Kampf (“minha luta”), publicado cinco anos depois, Hitler descreveu seu significado para o nazismo e como devia ser usada. Pintada na cor preta, sobre um círculo branco e com fundo vermelho, as cores da antiga bandeira do império alemão.  O ministro da propaganda nazista, Joseph Goebbels, que em 19 de maio de 1933 publicou a Lei de Proteção dos Símbolos Nacionais, que garantia a exploração da marca pelo regime e proibia seu uso comercial.

A idéia de Hitler era provavelmente inverter a direção de suas “pás” no sentido de roubar energia do universo para seus propósitos e “parar o tempo” da era atual e iniciar os mil anos de domínio da nova ordem: o 3º Reich, intencionalmente e simbolicamente, buscava a discreta lembrança de uma atitude de Shiva, deus hindu da destruição/renovação, representado dançando na roda da existência e dos mundos, aconselhado por seus instrutores secretos, Karl Haushofer e Dietrich Eckart, os quais estariam em contato com os tântricos da Índia e do Tibete. Acrescenta Robert Ambelain que Shiva é o aspecto oposto a Vishnu, o deus conservador da vida, e que a suástica dextrogira provém justamente de Vishnu.

O Partido Nazista não foi o único a usar a suástica na Alemanha. Após a 1ª Guerra Mundial, alguns movimentos nacionalistas da extrema-direita alemã já a haviam adotado e, como símbolo reconstruído, ela foi associada à ideia de um estado racialmente "puro". A ascendência cultural ariana do povo alemão é provavelmente uma das principais razões pelas quais o Partido Nazista adotou formalmente a suástica, ou a Hakenkreuz (i.e. Cruz Gamada), como seu símbolo, no ano de 1920.


A explicação para a adoção da suástica ao nazismo estaria ligada a erros de interpretações do arqueólogo alemão Heinrich Schliemann. Ao coordenar uma pesquisa, no final do século XIX, onde presumidamente haveria sido construída a cidade de Tróia. Ele teria descoberto em escavações vários artefatos contendo suásticas semelhantes a outras que ele havia encontrado  nas proximidades do Rio Oder, na Alemanha. O estudioso, então, presumiu, equivocadamente, que havia algum elo entre os antigos povos gregos e os teutões, que primeiramente ocuparam a Alemanha. Camila Braz Viscardi


Robert Ambelain, autor de Os Arcanos negros do Hitlerismo – 1848-1945: A História Oculta e Sangrenta do Pangermanismo, escreve que o uso nazista da suástica decorre do trabalho de estudiosos alemães do século XIX, que traduziam textos indianos antigos e que notaram semelhanças entre sua própria língua e o sânscrito. Eles concluíram que indianos e alemães deviam ter um ancestral comum e imaginaram uma raça de guerreiros deuses brancos a que chamavam de Arianos.
Uma curiosidade dos bastidores da 2a guerra: Aleister Crowley foi contatado por um amigo, um agente da Coroa chamado Ian Fleming (o criador de James Bond, o 007) para ajudar no interrogatório de Rudolf Hess e fornecer ao Primeiro-Ministro inglês Winston Churchill (acima) informações sobre o pensamento superticioso e místico do inimigo. Segundo Crowley, dessa participação saiu a recomendação para que se utilizasse o (hoje) conhecido sinal do “V” da vitória, na verdade uma representação do símbolo da divindade egípcia Apophis (Apófis), um deus do Caos e da destruição, capaz de fazer frente às energias solares da suástica
As mais antigas suásticas conhecidas datam de 2.500 ou 3.000 a.C. na Índia e na Ásia Central, e foram encontradas entre os Maias, Astecas, Judeus, nas tribos dos EUA e até mesmo no Brasil. As sacerdotisas gregas usavam esse símbolo no braço, as tribos germânicas a chamavam de “Cruz de Thor”, entre outros exemplos. A forma espiralada, agregando a massa para o centro, está presente em todo o planeta. Da água que vai para o ralo aos imensos furacões, vistos do espaço:


Representa o macro e o microcosmo. As galáxias são estruturadas desta forma, e os nossos centros de força (chakras) também possuem esse desenho, é possível notar a semelhança no design da galáxia NGC 4603 com a mandala Futatsu domoe (abaixo).

              

O autor/designer/criador de fontes Adrian Frutiger escreveu em seu livro Sinais e símbolos: “A cruz é um dos primeiros símbolos da humanidade, o mais difundido, o mais efetivo, porque é o que mais atrai o olho, é um ponto de convergência e é como o cérebro se orienta, através de quatro pontos cardeais”.

No hinduísmo ela é orientada para a direita (Dextrogira), e significa, bem-estar, boa sorte, o Deus Vishnu, Solar, apontada pra esquerda (Sinistrogira) significará o oposto, ou seja, azar, morte, a Deusa Kali.

No Budismo, comumente orientada para a esquerda (em japonês significa omote manji – manji frontal) e representa o amor e a misericórdia e orientada para a direita (ura manji – manji traseiro) caracteriza a força e a inteligência.
A China adotou esse símbolo quando o Budismo chegou a eles vindo da Índia, e é usado até hoje pelo Falun Dafa (acima). Eles explicam que “quando o Falun (suástica) gira no sentido horário ele automaticamente absorve energia do universo, no sentido de auto-salvação de quem a usa. Ao girar no sentido anti-horário, ele emite energia, oferecendo a salvação ao próximo”.
Dois vasos de Susa I (hoje no Museu do Louvre), uma proto-civilização Iraniana de 4200-3800 a.C., os primeiros grupamentos urbanos, base de nossa civilização, eram uma espécie de tumba, onde colocavam os ossos das pessoas.

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