Maconha, a farsa da proibição!

Por seis mil anos maconha foi uma planta que serviu de remédio e de matéria prima para corda, roupas, vasilha, óleo e uma infinidade de produtos, com imenso potencial medicinal da maconha, farmácias no Brasil vendiam a erva até 1940 para combater a cefaleia, insônia e mal estar. Guga Noblat - Canal do Otário
A primeira bíblia impressa no mundo usou papel de cânhamo, que vem da maconha. As cordas das caravelas que trouxeram os portugueses ao Brasil eram à base de cânhamo.
A maconha era tão imprescindível a ponto de a primeira estatal do Brasil ter sido dedicada ao cultivo dessa planta. A Real Feitoria do Linho-cânhamo (RFLC) foi fundada em 1783 pelo Império Lusitano a princípio no sul do Brasil e depois se alastrou.
A maconha foi demonizada por uma campanha difamatória que foi montada especialmente nos Estados Unidos, a partir da década de 20, e depois exportada para o mundo por motivos econômicos e também por preconceito contra negros, chineses e mexicanos que eram associados a erva. Se você torna ilícito algo que é inerente a um grupo cultural, você cria um argumento jurídico para criminalizar essas pessoas. E passa a usar a Lei para subjuga-las. Nos Estados Unidos ainda hoje chamam maconha de marijuana, era uma forma de ligar essa planta a um hábito dos mexicanos.
No Brasil, ainda em 1830, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro criou a primeira lei mundial contra a erva preferida dos escravos, mas ninguém deu bola e ela logo foi esquecida. Quem de fato tornou a maconha ilegal foram os americanos.
Indústrias americanas poderosas dos anos 20 faziam milhões com a venda de tecidos sintéticos, petróleo e papel, mas queriam se livrar de um concorrente, o cânhamo.
As farmácias também se preocupavam com a concorrência de um remédio que pode ser plantando na casa do paciente. Os presidentes fundadores dos Estados Unidos também ficaram conhecidos por usar o cânhamo. George Washington e Thomas Jefferson plantavam maconha em casa.
Políticos e jornalistas bancados por essa indústria criaram uma campanha mentirosa que chegou ao absurdo de montar notícias falsas, reportando a jovens que teriam tirado a própria vida ao fazer o uso da erva. William Randolph Hearst, dono de uma imensa rede de jornais, era também dono de terras onde plantava eucaliptos e outras árvores para produzir papel. Via o cânhamo como concorrente. Na década de 30, o jornal Hearst passou a fazer reportagens afirmando que a maconha fazia os mexicanos estuprarem mulheres brancas.
Os americanos resolveram banir a maconha, contrataram uma equipe de cientistas que deveria estudar a planta e dar um parecer sobre a proibição, mas eles concluíram já naquela época que não havia nada que pudesse embasar a proibição. Ainda assim, o governo americano enquadrou a maconha como droga ilegal e proibiu a planta de existir no final dos anos 30.
Europa e América Latina entraram logo na onda proibicionista assim que perceberam que poderiam controlar as minorias com isso. Com a convenção da Organizações da Nações Unidas (ONU), em 1961, que considerou as drogas como um mal mundial, a maconha passou de vez a ser taxada como vilã.
Os cientistas hoje não têm nenhuma comprovação de malefícios provocados pelo uso da maconha, não tem como associar câncer ou enfisema pulmonar à maconha, estudos recentes mostram que maconha mata células cancerígenas. E quanto mais se estuda, mais se encontram os benefícios que ela provoca.
Os mitos de que maconha faz mal estão sendo enterrados um a um. O argumento mais usado pelos que ainda defendem a proibição é que maconha pode causar esquizofrenia. Mas até isso está se tornando mito.
Dizer que maconha é porta de entrada para outras drogas é mais um argumento mentiroso para espalhar preconceito e medo, mas também está sendo sepultado.


Maconha x Câncer, quem mata quem?

A verdade é que maconha só faz mal para quem não fuma!

A legalização da maconha é, inclusive, uma ótima experiência para futuras regulamentações. Por ser uma droga ainda mais leve que o tabaco e o álcool, seria uma ótima oportunidade de testarmos novas formulas de organizar um mercado de substâncias entorpecentes. Uma experiência que evitaria problemas que hoje temos com o álcool, por exemplo, onde cerveja pode ser associada livremente a artistas e esportistas, gastando-se uma enormidade de dinheiro para aumentar o consumo dessas substâncias, através de propaganda. Droga não deveria poder gerar lucros exorbitantes e nenhuma associação ou empresa deveria procurar, no aumento dos usuários, uma forma de aumentar seus ganhos. Carlos Roberto Oliveira - Câmara dos Deputados

A tentativa de associar a maconha com a indesejável e sinistra imagem de usuários “zumbis”, provocada pelo extremo uso de drogas como cocaína e heroína, é a simples tentativa de assustar e mascarar a realidade, afim de impedir que a sociedade debata o tema dentro do nível intelectual necessário para resolver o problema.

A “Guerra as Drogas” é um exemplo, assim como a “Guerra ao Terror”, a “Guerra Fria” e a perseguição aos judeus, pelos nazistas, na segunda guerra. Fácil angariar mentes frágeis ao redor de temáticas terroristas para direcionar a sociedade rumo ao cerceamento de liberdades ou na simples busca pelo poder. Com a justificativa de proteger de uma ameaça maior, sempre vem, em contra partida, a idéia da necessidade de um Estado paternalista e controlador. Mas é esse o ideal de país que queremos para nossas vidas?

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