Eu amava o cuscuz.

 


Era um dia frio, chuvoso. Tem flor

Anestesiada por uma semana turbulenta.

Metade do cabelo ao chão. A outra metade, num enrolado prendido por um palito chinês.

Um rímel no olho. Uma sombra alegre para disfarçar a noite. Um batom cor de qualquer coisa que fique bem na foto.

Era sábado. Sábado eu havia de ficar bem para as fotografias que seguiam para o portfólio elegante.

E lá estávamos nós. Bem. Em uma postura fiel, educada. Em um alegre sorriso confirmado nas covinhas do rosto.

“Bom dia, Cassiane. Trouxe cuscuz pra você…”

Rodrigo, depois que soubera que amava cuscuz, fazia questão de preparar e levar todo sábado.

Um dia com queijo, outro com ovo, outro com temperos que não sei dizer. E que temperos!



Eu amava o cuscuz e Rodrigo amava me ver comendo cuscuz.

Preparar o cuscuz com todo zelo, era a forma dele dizer: “vai ficar tudo bem…”

Tomamos café, comemos cuscuz quentinho. Agradeci pelo cuscuz.

Rodrigo não sabia, mas era o nosso último sábado. E por aqui, continua tudo indo bem.

Prometi que compraria uma cuscuzeira. Nunca comprei.

Não me despedi de Rodrigo. Não aprendi a fazer a cuscuz.

Eu amava cuscuz?

Na “quarentena” ganhei uma cuscuzeira…

Mas meu cuscuz não tem “SAZÓN”



Receita da dona Josefa…


Comentários

Postagens mais visitadas